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Quem já ouviu a expressão "viver a vida numa valsa"? Aqui está uma cantora que levou a cabo um aforismo que deve ter chegado no Brasil lá pelos idos de 1808, quando a família real portuguesa desembarcou em nossas terras.

Originária do alemão "waltzen", que significa "dar voltas", a valsa ao longo da história fez jus à sua etimologia. Da origem popular, condenada como dança sensual pela aristocracia nascente na Áustria e Alemanha, o gênero caiu no gosto das elites e das orquestras em praticamente todo o mundo. No Brasil, não há nenhum grande compositor popular que não tenha em seu inventário algumas pérolas do gênero ternário, Pixinguinha, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Luiz Gonzaga...

Se fôssemos ouvir apenas o que se toca atualmente nas grandes rádios e sites de internet ou nos programas de televisão, chegaríamos à conclusão de que a valsa acabou. Nadando com beleza e suavidade contra a corrente, o álbum de estreia de Lúcia Helena surge para reafirmar a pujança de um estilo que namora com a alma musical brasileira.

Em sua proposta, a cantora, de formação lírica e há décadas dedicada ao cancioneiro popular, não hesitou em reunir a nata dos melhores instrumentistas e arranjadores do cenário carioca, Marcelo Caldi, Alexandre Caldi, Luis Barcelos, Domingos Teixeira, entre outros. A seleção do repertório, por sua vez, é uma mostra do que há de mais interessante e atual na produção do gênero, reunindo nomes consagrados como Paulo César Pinheiro, Guinga e Aldir Blanc, ao lado de jovens talentosos como Vinícius Castro, Luis Barcelos e Mauro Aguiar.

O resultado dessa fusão ternária é um trabalho original, delicado e precioso, atento aos bordados que costuraram a história da valsa ao longo das últimas décadas no Brasil, dentro do universo da MPB. Não por acaso, Lúcia Helena é historiadora de formação. Sabe que a valsa alude a uma época em que "o tempo era mais lento / a noite era sem dono / a gente ouvia o vento / sob o luar de outono". Se, por um lado, os versos de Paulo César Pinheiro musicados por Pedro Amorim soam fatais ("acho que a serenata está chegando ao fim / só resta a valsa desse outono em mim"), por outro, o álbum "Ternária" vem surpreender os mais céticos, lançando uma nova cantora e ao mesmo tempo uma safra de novas composições.

Fernando Gasparini


Cantora Lúcia Helena estreia em CD de valsas contemporâneas brasileiras

Com um apurado trabalho de pesquisa realizado em conjunto com os irmãos Marcelo e Alexandre Caldi, a cantora Lúcia Helena estreia no CD “Ternária” totalmente dedicado a valsas populares contemporâneas brasileiras. Dividido em três partes, o CD abrange “Cantos de Encontro e de Paixão”, no Tempo 1; “Cantos de Incerteza e de Dor”, no Tempo 2, e “Cantos da Alma, de Laços e de Saudade, no 3. O álbum tem como atributos principais o ineditismo, a brasilidade e a contemporaneidade de seu repertório, que alia o reconhecimento do gênero como verdadeiro patrimônio nacional à sua capacidade de renovação estética.

“Este trabalho visa a contribuir para a difusão e o fomento da produção contemporânea da valsa popular brasileira, uma das mais ricas e férteis vertentes de nossa música popular”, explica Lúcia Helena. "Ternária" conta com direção musical de Marcelo e Alexandre Caldi e os arranjos originais foram criados e interpretados pela dupla de diretores ao lado de Domingos Teixeira, Luis Barcelos, Marlon Júlio, que também integram o time de músicos do CD.

O álbum conta ainda com participações especiais de Vidal Assis, Maurício Carrilho, Lucina, Bebel Nicioli, Pedro Franco, Nando Duarte, Wladimir Pinheiro,Simone Franco, Paula Weiss , Matias Correa, Maycon Julio e Mauro Aguiar, entre outros. Na equipe de compositores, jovens como os próprios diretores musicais, Vinícius Castro e Vidal Assis, por exemplo, se juntam a nomes consagrados como os de Sérgio Ricardo, Paulo Cesar Pinheiro, Cristóvão Bastos, Guinga e Aldir Blanc.

“Ao trazer à tona, em bloco, uma amostragem significativa da canção ternária contemporânea, esperamos colaborar para o reposicionamento da valsa popular no mercado musical brasileiro, provocando a adesão de compositores, poetas e intérpretes para seu exercício, e de produtores, patrocinadores, casas de show e de cultura, gravadoras e veículos de comunicação, para sua viabilização. Exemplos bem sucedidos dessa estratégia podem ser encontrados na revitalização do samba e do choro na Lapa e da bossa nova em vários espaços do Rio de Janeiro. A valsa popular, devidamente apoiada e difundida, pode integrar-se a essa tendência, elevando o patamar de qualidade da produção contemporânea a partir da riqueza poética e melódica de nossa música ternária. É imenso o seu potencial para tornar-se, tal como a bossa nova e o samba, um símbolo de qualidade da música brasileira a ser reconhecido internacionalmente", afirma a cantora.

Não por acaso, compositores e poetas como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Guinga, Aldir Blanc e Paulo Cesar Pinheiro, que se destacaram no gênero nos últimos cinquenta anos criaram valsas como "Eu te amo", "Beatriz", "Luiza", "Valsinha", "Valsa de Realejo", "Chovendo na Roseira", "João e Maria", "Valsa de Eurídice" e "Igreja da Penha", que, entre outras ternárias, integram um time das mais belas canções brasileiras. “O público muitas vezes desconhece que algumas de suas músicas favoritas são valsas e que, mesmo inconscientemente, as elege entre as canções mais íntimas e representativas da casa brasileira, como "Rosa", uma das mais queridas dentre nossas valsas seresteiras, canções de mestres da MPB como "Encontros e Despedidas" e "Romaria" ou até mesmo simples cantigas populares, como o “Parabéns a você”, e o “Cravo brigou com a Rosa”, cita.

A valsa

Gênero ternário, um dos pioneiros da dança em par entre os europeus, a valsa tem suas origens atribuídas aos alemães, no século XV. A partir do século XIX expandiu-se pelo mundo e assumiu diferentes características conforme a cultura das sociedades que a acolheram. Ao Brasil chegou pelas mãos da corte portuguesa e foi absorvida nos salões da nobreza, inicialmente enraizada na música erudita. No final do século XIX difundiu-se no gosto popular como composição instrumental, amplamente cultivada pelos chorões e encontrou rapidamente expressão na canção popular e nas modinhas cortesãs, que se adaptaram à marcação ternária. Consolidou-se como uma das formas preferidas dos poetas letristas da música brasileira, influenciando e sendo influenciada pelos mais diversos gêneros e culturas regionais, além de interagir com a música dos vizinhos latino-americanos.

A valsa, tão querida dos compositores românticos, alcançou seu apogeu na “Era do Rádio”, nas clássicas interpretações de Orlando Silva, Francisco Alves, Silvio Caldas, Vicente Celestino e Carlos Galhardo e progressivamente perdeu espaço na mídia, com o advento do samba-canção e da bossa nova. Por sua grande diversidade e capacidade de adaptação, sobreviveu na música regional brasileira, especialmente nas modas e toadas interioranas, nas guarânias, nos lamentos e valsas nordestinas e em grandes clássicos da MPB e vem ganhando adeptos entre as novas gerações de poetas, compositores e intérpretes.

A cantora e a valsa

Lúcia Helena e Marcelo Caldi promovem, desde 2010, apresentações do show “Viver é que é Valsar”, voltadas para a difusão da valsa popular brasileira, da primeira metade do século XX à produção mais recente. No processo de pesquisa para roteiro e repertório deste trabalho, depararam-se com um significativo universo de valsas inéditas ou desconhecidas, criadas tanto por compositores consagrados como por talentosos novos autores, constatando a permanência e vitalidade do gênero.

Na Escola Portátil de Música (EPM), Lúcia Helena entrou em contato com o universo da valsa brasileira, primeiro pelas mãos do flautista Álvaro Carrilho e, em seguida, nas classes de interpretação da cantora Amélia Rabello e na oficina de canções inéditas de Paulo Cesar Pinheiro, ministrada pela cantora e pesquisadora Anna Paes, na mesma instituição. Lá teve a oportunidade de observar que as canções mais apreciadas, as que todos desejavam interpretar nas apresentações, eram as valsas, especialmente as contemporâneas criadas por Paulo Cesar Pinheiro e seus parceiros como Luciana Rabello, Maurício Carrilho, Guinga e Pedro Amorim, dentre outros.

"A beleza poética e riqueza melódica provocaram uma verdadeira redescoberta do gênero entre os alunos. Ficou clara, então, para mim, a necessidade de enveredar por esse caminho e dar vazão à tanta beleza escondida. Sempre é tempo para formar novas gerações de ouvintes, fazer renascer o gosto pelo cultivo da valsa e criar uma ponte entre o que se produz hoje e as referências musicais que não tocam mais nas rádios ou frequentam rodas familiares e brincadeiras, mas estão aí, em nossa história e nos corações”, diz a cantora.


Repertório CD “Ternária”

Tempo 1 - Cantos de Encontro e de Paixão
1- Amorosa - Maurício Carrilho e Vidal Assis (inédita)
2- Modinha para uma Flor - Vidal Assis (inédita)
3- Turbulências no Chão - Marcelo Caldi e Julio Dain (gravada originalmente pelo compositor Marcelo Caldi)
4- Manoela - Alexandre Caldi e Sergio Ricardo (letra inédita)
5- Dias Sem Fim - Wladimir Pinheiro (inédita)
6 - Deu Flor - Lucina e Luhli

Tempo 2 - Cantos de Incerteza e de Dor
7- Último Outono - Gabriela Buarque e Vidal Assis (inédita)
8- Lembrança Viva - Julião Pinheiro e Paulo Cesar Pinheiro (inédita)
9- Sangramento - Vinícius Castro (gravada originalmente pelo compositor)
10- Valsa de Apartamento - Marcelo Caldi (inédita)
11- Ária de Opereta - Guinga e Aldir Blanc (gravada originalmente por Ed Motta)
12- Dois Casais - Luis Barcelos e Vidal Assis (inédita)

Tempo 3 - Cantos da Alma, de Laços e de Saudade
13- Licores e Punhais - Lucas Porto e Vidal Assis (inédita)
14- Valsa do Trovador - Luciana Rabello, Cristóvão Bastos e Paulo Cesar Pinheiro (letra inédita)
15- Valsa Vesperal - Luiz Flávio Alcofra e Mauro Aguiar (inédita)
16- Valsa de Sangue - Marlon Júlio e Vidal Assis (inédita)
17- Ana - Pedro Franco e Caio Martinez (inédita)
18- Valsa de Outono - Pedro Amorim e Paulo Cesar Pinheiro (inédita)

Ficha técnica do CD

Direção e produção musical: Alexandre Caldi e Marcelo Caldi
Seleção de repertório: Lúcia Helena e Marcelo Caldi
Arranjos: Marcelo Caldi, Alexandre Caldi, Domingos Teixeira, Luis Barcelos e Marlon Júlio
Produção fonográfica: Lúcia Helena
Mixagem e masterização: Matias Correa
Estúdio: todas as faixas gravadas no estúdio Tenda da Raposa, entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013, por Carlos Fuchs, Gustavo Krebs e Daniel Vasques, exceto as bases das faixas 2 e 18, gravadas no estúdio Umuarama, em 2010, por Ricardo Cidade e Ricardo Calafate
Coordenação de produção: Patrícia Ferraz
Projeto gráfico: Cyntia C
Fotografia: Elisa Gaivota
Textos: Fernando Gasparini, Marcelo Caldi, Alexandre Caldi e Lúcia Helena
Figurino (vestido Lúcia Helena): Alexandre Nogueira
Locações: Portão da casa dos tios César e Eponina (Tijuca - Rio de Janeiro) e Rua do Rosário (Centro - Rio de Janeiro)

Produção (lançamento): MultiCult Consultoria e Gestão Cultural - Ludmila Teixeira e Sheila Moraes producao@multicult.com.br (21)3208-3905

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  • Vídeo release para divulgação da cantora Lúcia Helena e do CD "Ternária", dedicado à valsa popular brasileira.

    O CD "Ternária" tem Direção Musical de Marcelo Caldi e Alexandre Caldi, que também atuam como arranjadores ao lado de Domingos Teixeira, Luis Barcelos e Marlon Júlio.

    Compositores: Aldir Blanc, Alexandre Caldi, Caio Martinez, Cristóvão Bastos, Gabi Buarque, Guinga, Júlio Dain, Julião Pinheiro, Lucas Porto, Luciana Rabello, Lucina, Luhli, Luis Barcelos, Luiz Flávio Alcofra, Marcelo Caldi, Maurício Carrilho, Mauro Aguiar, Paulo Cesar Pinheiro, Pedro Amorim, Pedro Franco, Sérgio Ricardo, Vidal Assis, Vinícius Castro e Wladimir Pinheiro.